• Téte António: "Angola é um actor decisivo na resolução de conflitos em África"


    O ministro das Relações Exteriores, Téte António, afirmou, esta terça-feira, em Luanda, que, fruto da sua experiência política, “Angola é hoje um actor decisivo na resolução de conflitos em África e não só.”

    Téte António reiterou este facto ao discursar na abertura da Conferência Internacional subordinada ao tema “35.º aniversário dos Acordos de Bicesse”, que contou com a prelecção do antigo primeiro-ministro de Portugal, José Manuel Durão Barroso.

    "Como é sobejamente conhecido, fruto das várias iniciativas de paz bem-sucedidas, o Presidente da República, João Lourenço, foi designado pelos seus pares da União Africana, Campeão para a Paz e Reconciliação em África", destacou.

    Segundo o ministro, esta escolha não foi uma protocolar, assinalando que resultou de um amplo consenso sobre o investimento diplomático que o Estado angolano dedica à causa da paz.
    Entre os intervenientes na conferência, esteve o Embaixador de Angola no Reino Unido, José Patrício.

    O diplomata passou testemunhos sobre a sua participação nas negociações , como integrante da Delegação do Governo de Angola.

    No texto que escreveu para o Jornal de Angola, publicado nesta terça-feira, 26 de Maio, José Patrício relatou que “os Acordos de Bicesse, por trazerem na sua génese os fundamentos para o final das hostilidades entre irmãos desavindos por um longo período de guerra fratricida que gangrenava a sociedade angolana, constituem, sem margem de erro, um marco indelével da nossa História, ao tentar por termo definitivo a mais de 16 anos de uma guerra fratricida entre a UNITA e o Governo do MPLA, estabelecer um calendário eleitoral e consagrar as bases de um Estado Democrático de Direito”.

    Para o diplomata “Angola tipificava um caso sui generis na região austral do continente africano, pois havia contribuído significativa e decididamente para a resolução de uma série de conflitos, como na Namíbia, na África do Sul, bem como não se alheou do problema zairense, mas irónica e paradoxalmente continuava mergulhada numa crise de vários contornos, impedindo o nosso país de conhecer a paz e a estabilidade”.

    O Embaixador José Patrício declarou, no texto, que o povo angolano viu nascer nesse dia a esperança de uma Angola a trilhar os desígnios da paz, da reconciliação e da democracia que, entretanto, se esfumaria, ao não serem respeitados e validados pela UNITA os resultados das Eleições de Setembro de 1992 e, por consequência, terem reiniciado as hostilidades que transformaram Angola na maior tragédia humanitária à escala planetária.

    José Patrício opinou que os acordos de Bicesse constituem uma verdadeira lição para a História de Angola, ao criarem um novo quadro constitucional, consagrando uma democracia multipartidária e as premissas de um Estado unitário, com um Exército Nacional apartidário e defendendo a sacrossanta divindade de eleições livres e democráticas.